Resenha – Violetas ao vento

Como sobreviver em um lar despedaçado?


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Violetas ao vento

SINOPSE:

Como sobreviver em um lar despedaçado?

 Qual será a dor que alguém pode esconder? Apesar de ser doce e gentil, Violeta já passou por muitos percalços na vida. Pois, em casa, fora dos olhares alheios, onde lhe são arrancados os sonhos de menina e a dor lhe toma orosto, é que a jovem perde as esperanças de que a vida melhore. Ali, naquele ambiente hostil e violento, ninguém vê Violeta chorar ou ouve os gritos de dorda mãe… Ninguém impede que o pai continue com as agressões, nem mesmo que o irmão assista a tudo, impassível, como se tratar as mulheres da casa com desprezo e crueldade fosse algo banal, comum. Como se a feminilidade que carrega em si fosse uma doença.

É através dos poemas que Violeta procura esquecer as marcas do corpo e o medo de que, um dia, ela e a mãe não sobrevivam. A jovem encontra nosversos um esboço da dor, da transformação, do seu novo eu. Percebe que, ao se ver refletida naquelas palavras, pode enxergar também uma esperança de um futuro melhor. E, assim, ela tenta se redescobrir e, mais que sobreviver, lutar de peito aberto contra aquilo que a aprisiona, bem como sua mãe.

Nessa nova busca por se tornar a mulher que sempre desejou, Violeta fará uma jornada emocionante e dolorosa em busca de se empoderar, de amar e dese permitir, com acertos e erros, dúvidas e paixões, nem sempre correspondidas.Emocione-se com esse romance jovem, forte e poderoso, escrito pelas mãos – e pelo coração – de Jéssica Anitelli. E lembre-se de que, infelizmente, sempre pode existir uma Violeta perto de você, com uma história para contar.

RESENHA:

            Nesta resenha, venho a falar de um livro da autora Jéssic aAnitelli, cuja escrita me cativou desde o lançamento dos livros “O Punhal” e “O Ritual”, ambos lançados pela editora Dracaena. De lá pra cá esperava ansiosamente por outro lançamento fisico dela, que pude conferir com a história de  “Violetas ao Vento”, lançado em 2018 pela editora Rico. Posso salientar, sem exageros, que a autora é uma das mais cativantes e competentes da atualidade. Com uma escrita leve, fluida e bem organizada, ela consegue, com evidentes toques de realismo, transferir o leitor no âmago das sensações dos personagens.

            No parágrafo acima,detalhei a sua escrita de forma genuína, mas o que está em evidência é este seu terceiro livro que li. Nem sempre é uma tarefa fácil avaliar um romance e ser justo nos apontamentos. No entanto, o que o diferencia dos outros dois anteriormente mencionados é o seu texto que, evidentemente, mostrou-se mais qualificado e maduro. Ela deixou de falar de uma saga de vampiros (um enredo bem original, inclusive: fora dos clichês com os quais estamos acostumados) e passou a um estilo mais dramático, onde as sensações humanas é o que determina e conduz a sua arquitetura. Portanto, não há aqui uma história de aventura cheia de sagacidade como característica dos livros anteriores, mas sim uma profunda e detalhada menção aos tormentos, medos, incertezas e insegurança. Escrito em 1º pessoa, ressalto que senti na pele as privações de Violeta (a personagem chave) inserida em um ambiente familiar que sufoca, que degrada, que eu não desejaria a ninguém.

            Mesmo com a escrita mais madura, inclinada a um patamar mais adulto, noto que ela não se desvinculou de um modo descompromissado e atento aos jovens leitores.  A história é tensa, mas há momentos divertidos de Violeta, tentando de alguma forma esquecer dos problemas recorrentes. Violeta tinha apenas 17 anos, mas era notório, por suas falas e modo de pensar, que possuia discernimento e consciencia das coisas acima da média dos adolescentes, talvez em detrimento do que a vida lhe apresentou de sofrimento desde cedo. A cada capítulo novas surpresas são mostradas a ela: decepções, descobertas, ilusões… Violeta é uma personagem que cativa, como também sua amiga Thamires. Da forma que a história foi conduzida era fácil simpatizar com alguns personagens como também ter nojo e desapreço por outros. Entretanto a personagem que senti maior comoção foi a mãe dela: Olívia; a violência pela qual foi tomada me deixou perplexo.

            Por fim, quem mais sofreu não foi Violeta, mas sim a mãe. Violeta, de forma inerente por minha concepção, também serviu de gancho para transferir, com excelência, o sofrimento e o fantasma que pairava em sua casa e na vida de Olívia. Vale muito conferir essa história que, com certeza, Jessica a aprumou para deixá-la pronta para qualquer tipo de leitor.

Mesmo com toda aquela vontade de mudar a nossa realidade tomando conta do meu ser, eu ainda tinha medo, muito. Se eu falhasse, se não desse conta do que planejava, o que seria de minha mãe? Continuaria submetida àquela triste realidade até quando? Porque não havia ninguém por ela….”

Por Maleno Maia

 

Biografia:  Jéssica Anitelli não consegue, literalmente, viver sem palavras por perto. Para ela, quanto mais, melhor. Formada em Letras pela Universidade Federal de São Paulo, já trabalhou como professora da rede estadual e, atualmente, exerce a profissão de revisora de textos. Mora em São José dos Campos, interior de São Paulo, e adora colocar a cidade – e outras por onde já passou – em suas obras.
 Aos 17 anos começou a escrever, achando assim o meio de expor sua voz ao mundo.De lá para cá, não parou mais, escrevendo livros que vão do erótico à distopia, alguns publicados por grandes editoras, outros, de forma independente.
Quando não está mexendo nos textos dos outros ou sendo mãe e esposa, fica pensando em novas formas de conquistar os leitores – e o mundo.


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Mhorgana Alessandra
Mhorgana Alessandra é mineira, psicóloga e escritora. Diretora da Anima - Núcleo de Desenvolvimento Humano, ministra palestras e consultorias sobre diversos temas do comportamento humano. Casada, mãe de duas lindas meninas, é amante da música, literatura, artes marciais e atividades ligadas ao crescimento espiritual. Ganhou diversos concursos literários, mas somente em 2017 deu vazão às suas ideias, participando pela Editora Illuminare como autora das Antologias: Copas, Diário de Lúcifer, Para Maiores de 18, As faces do Horror, Vícios, Taras e Medos, Deep Web e como autora e organizadora das Antologias Síndromes e Carpe Noctem. Transita por diferentes estilos, mas tem especial fascínio pelos gêneros de ficção, fantasia e horror. Seu autor preferido é Stephen King e por ser psicóloga uma estudiosa da psique humana, como ele, acredita que o escritor presta atenção em como as pessoas reais se comportam e então, conta a verdade sobre o que vê.
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