Resenha do filme O Farol


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Resenha “O farol” (2020) de Robert Eggers

Título:

Por Igor Cabrardo

Antes de tudo: eu vou evitar os spoilers pesados, comentando apenas sobre características que auxiliem a construção estética do filme pra não estragar a experiência de ninguém, oks?? Bora lá…

Foi sem muita noção do que sentir que eu saí da sala de cinema, na terça-feira, após assistir “O farol” do diretor Robert Eggers (o mesmo que nos trouxe o maravilhoso “A Bruxa”) e não digo isso de uma forma negativa. O filme é tão poético (tendo espaço até para uma super referência ao quadro “A Hipnose” de Sascha Schneider) e insano que é necessário parar, respirar um pouco para só então começar a digerir tudo o que foi visto.

A primeira coisa a se dizer sobre o filme é que ele NÃO É um terror convencional!! Se você for ao cinema esperando freiras satânicas, fantasmas ensanguentados e uma boa dose de jump scares você muito provavelmente vai sair de lá frustrado. O terror de O Farol é inteiramente psicológico, claramente influenciado pelo expressionismo alemão, o que faz do filme uma verdadeira obra de arte contemporânea tensa e de certa forma incomoda. 

A trama acompanha a rotina de dois faroleiros que vão cuidar de um Farol durante duas semanas. O jovem Ephraim Winslow (Robert Pattinson), contratado por Thomas Wake (Willem Dafoe), começa a perceber estranhos acontecimentos acerca do farol e de seu companheiro, sendo conduzido gradativamente a um vórtice de paranóia e insanidade diante de todo o isolamento imposto por aquele pequeno pedaço de terra em meio às águas. 

A atmosfera tensa e angustiante do filme é construída por meio de um conjunto impecável composto por fotografia, trilha sonora, direção e a química entre as atuações maravilhosas de Pattinson e Dafoe (o jogo cênico entre os dois é simplesmente fantástico, não deixando a peteca cair durante as quase duas horas de filme). O cenário limitado da crua encosta marinha onde se localiza o farol, a desolação das pedras frias com a quase total ausência de vegetação, une-se ao som das ondas e ao grito das aves marinhas na construção do sentimento de isolação e claustrofobia que permeia todo o filme (mesmo este se passando em grande parte ao ar livre). A sirene do farol, que ecoa periodicamente, entra como um alarme, um alerta agourento anunciando as bizarrices que não demoram a acontecer. O mar e os animais do filme funcionam quase como personagens, sendo utilizados como elementos importantes na construção da trama e do suspense.  

O diretor soube muito bem onde e quando inserir os elementos sobrenaturais, assim como os alívios cômicos que amenizam a densidade construída sem destruí-la ou prejudicá-la. Os signos sobrenaturais são inseridos em momentos cruciais, sem exageros, de forma completamente natural que faz com a trama siga uma trilha fluída até seu clímax.  

A abordagem da masculinidade levantada pelo filme é fantástica. A forma como o isolamento no farol traz a tona o pior dos dois homens, brincando até com uma certa tensão sexual muito sutil, é fantástica. É possível afirmar que o filme se trata, ao menos em parte, do “ser homem” e de como a masculinidade nociva, aquela carregada de territorialismo e conceitos machistas do que é ser homem, pode vir a ser a ruína do indivíduo. 

Com um ritmo crescente que não se perde em nenhum momento, “O farol” coloca Eggers como um dos diretores mais promissores década e traz uma das performances mais intensas tanto de Pattinson quanto de Dafoe (claro, isso na minha humilde opinião de um cara comum que curte filmes de terror. É suscetível a discordâncias e debates). 2020 mal começou e eu já ouso afirmar que o filme é um dos meus favoritos do ano. Espero que tenham gostado. 


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Um comentário

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  1. Ótima resenha, bem escrita e sem spoiler.

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