Resenha- “Confissões do Crematório”


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“Não existe manual sobre a Arte de Morrer disponível na nossa sociedade, então decidi escrever o meu. É direcionado não só aos religiosos, mas também ao número crescente de ateus, agnósticos e vagamente “espiritualizados” entre nós. Para mim, a boa morte inclui estar preparada para morrer, com minhas coisas em ordem, os recados bons e ruins que precisam ser entregues resolvidos. A boa morte quer dizer morrer enquanto minha mente ainda está lúcida e ciente; também significa morrer sem ter que enfrentar grandes quantidades de sofrimento e de dor. A boa morte quer dizer aceitar a morte como inevitável e não lutar contra ela quando chegar. Essa é a minha boa morte, mas como disse o lendário psicoterapeuta Carl Jung: “Não ajuda em nada saber o que eu acho sobre a morte”. Nosso relacionamento com a mortalidade é individual. “

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“Confissões do Crematório” é um livro, que reúne histórias do dia a dia de Caitlin no tempo em que ela trabalhou em uma casa funerária nos Estados Unidos. A autora dismorfia a morte para si e para os leitores mudando a ideia de morte implantada na sociedade, enquanto limpa cinzas das máquinas de cremação e queima cadáveres.

A obsessão com a morte começa, quando aos 8 anos Caitlin presencia a morte de uma garota, que despencou de 10 metros em um shopping. Desde o ocorrido, Caitlin desenvolve uma obsessão-compulsiva, e somente aos 23 anos após cursar uma faculdade de história medieval e aceitar o emprego na WestWind, consegue se aprofundar no assunto.Durante o enredo ela conta histórias pessoais e detalhes, desde embalsamento até velórios e enterros. A autora também reflete durante o livro, sobre como a sociedade esconde a morte das pessoas e maquia qualquer vestígio de finidade da vida, como se fôssemos imortais e invencíveis. Com a ajuda de Mike, seu chefe, e de seus companheiros de trabalho, ela irá aprender a triturar ossos de cadáveres em uma espécie de liquidificador, a cremar corpos de bebês recém nascidos mortos e a transportar corpos mortos e gélidos por aí. Em uma mistura de humor, biografia, história e morbidez, a história te faz refletir sobre a morte e como devemos apenas aceitá-la. 

A história está sempre presente no enredo, desde informações sobre como os vikings enterravam seus entes queridos até como clãs na Amazônia consumiam a carne humana em decomposição de seus amigos e familiares para que a morte não “rondasse” seu ciclo social. O capitalismo e o lucro nas indústrias funerárias americanas também é abordado em um capítulo do livro, fazendo inclusive um paralelo ao livro “The American Way do Death”, da comunista e escrito Mitford. Em um trecho específico a autora conta sobre o machismo que ela sofreu nas redes sociais por ser uma mulher em um meio de trabalho dominado por homens, ela também vai nos contar sobre como foi a faculdade funerária e como ficou surpresa ao entrar na sala e ver que a maioria dos estudantes eram mulheres negras. 

O objetivo do livro é desconstruir nossa ideia sobre a morte e nos introduzir as técnicas funerárias, sempre com muito bom humor!☺️Recomendo para todas as pessoas, é um livro que além de entreter, traz uma carga de conhecimento muito grande!

Autora: Caitlin Doughty.

Editora: DarkSide Books.

Páginas: 251.

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“Não é surpresa que o grupo de pessoas que tentam tão fre- neticamente aumentar nosso tempo de vida seja formado ba- sicamente por homens ricos e brancos. Homens que viveram vidas de privilégio sistemático e acreditam que esta deva se estender para sempre”

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“O grande triunfo (ou tragédia horrível, dependendo de como você encara) de ser humano é que nosso cérebro evoluiu a longo de centenas de milhares de anos para compreender nossa mortalidade. Infelizmente, somos criaturas conscientes. Mesmo que passemos o dia encontrando jeitos criativos de negar nossa mortalidade, por mais poderosos, amados especiais que nos sintamos, sabemos que estamos fadados a morte e à decomposição. Esse é um peso mental compartilhado por poucas e preciosas espécies na Terra.” 


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Victoria Manuela

Victória Manuela nasceu na cidade mineira de Nova Lima no ano de 2005. Estudante e amante da literatura, teve a primeira participação em uma obra literária em 2017 nas Antologias Ana e Carpe Diem. Escreve contos e poesias e é leitura assídua de vários estilos literários. Sonha em ser uma escritora de sucesso e fazer faculdade de Letras. Seus hobbys são: ler, escrever e pintar.

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