Entrevista Literária – Paula Bajer


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– Paula, para nós é um prazer entrevista-la. Conte-nos um pouco sobre você e sua carreira literária.

Eu que agradeço a oportunidade de falar sobre literatura.

Sempre escrevi, desde que aprendi a ligar letras, palavras e ideias. Gosto de histórias. A leitura sempre foi importante pra mim, como falar e até respirar. Fiz faculdade de direito, trabalho na área jurídica. Eu me dediquei à academia por um tempo, tenho mestrado e doutorado em processo penal, escrevi livros e artigos  jurídicos, um deles inclusive explica o direito para leigos, Processo penal e cidadania (Zahar), depois atualizado para Punição e liberdade no Brasil (e-book). Meu pai é advogado criminalista e minha mãe também era advogada e estudiosa do direito. Cresci em um ambiente de histórias policiais e de suspense, de liberdade. Meu pai tinha uma coleção de livros em francês do Arsène Lupin e eram muitos, de capa preta. Eu olhava aqueles livros com admiração.

Em 2012 cheguei à conclusão de que deveria levar a sério minha escrita e comecei a participar de oficinas literárias, fiz várias. Escrevi  um romance,  Viagem sentimental ao Japão, que ficou entre os finalistas do Prêmio Sesc. O romance foi publicado pela Editora Apicuri (2013) com muito capricho, o livro ficou lindo e os leitores gostaram. Ainda não era um policial, mas um livro sobre vontade de viajar e ao mesmo tempo medo de viajar. Criei uma personagem bacana, Anette, tem gente que termina o livro e fica com saudades.

Escrevi “Nove tiros em Chefe Lidu”, publicado pela Editora Circuito (2014). Esse é  policial. Chef Lidu, dono de um restaurante famoso,  é assassinado com nove tiros e Dr. Magreza, delegado de polícia inspirado em Maigret, de Georges Simenon, precisa investigar o crime e o faz com ajuda de Elvis, um escrivão novo não acostumado com inquéritos. Elvis é ingênuo e ao mesmo tempo sagaz, ele se surpreende com a desconexão entre a realidade e o direito, com o discurso jurídico, com as formalidades para a descoberta da verdade,  com os jargões. O contexto do livro é  gastronomia, restaurantes, alimentação, dietas.O livro é divertido, Elvis é um personagem cativante, engraçado.  

Depois escrevi “Feliz aniversário, Sílvia”, publicado pela Editora Patuá (2017). Esse é um policial um pouco diferente, ele não parte de um homicídio, mas do sequestro de Sabrina,  tradutora que na verdade é autora de romances muito lidos, best sellers. Mas ela escreve sob pseudônimo e nem o marido sabe quem  é. É muito rica, mas esconde do marido. Tem dupla identidade e é muito amiga de Sílvia, advogada que conhece seu segredo, tem problemas de relacionamento com o namorado e se acha acima do peso, vive em dietas para emagrecer. Sabrina é sequestrada e o enredo gira em torno da descoberta de seu paradeiro e sua identidade.

Recentemente publiquei, ainda pela Editora Patuá, Um enterro para Suzana (2019) , coletânea de contos, muitos deles policiais. O primeiro conto, que dá  nome ao livro, é quase uma novela. O suspense gira em torno do assassinato de Suzana, amiga de Laura, cujo marido deixou a prisão. Elas moravam juntas e quando Laura vai buscar o marido na saída da cadeia constata que ele já não está preso. Quando chega de volta ao seu apartamento, o corpo de Suzana está no corredor. Gosto bastante desse conto.

Faço parte do Coletivo Literário Martelinho de Ouro e já publicamos, juntas, quatro livros e alguns zines. Alguns contos de Um enterro para Suzana  estao em coletâneas do Martelinho. Participei das Antologias Continuem nos escutando, organizada pela Aberst, assim como de Onda de crimes, coordenada por Cesar Alcázar, que realiza o Porto Alegre Noir, encontro de cinema e literatura policial.

Tenho dois blogs: lolitaimaginario.com e cheflidu.com, onde escrevo textos de não ficção.

Estou agora participando de um projeto da Luva Editora, de Vitto Graziano, escritor muito bacana, autor de Bella Máfia. Escrevi um conto para o livro “O melhor do crime nacional”, organizado por Vitto Graziano e por Tito Prates. O livro será logo publicado, estarei lá junto com outros ótimos escritores de suspense.

Paula Bajer

– Qual o seu estilo literário e o que gosta de escrever?

Tenho um estilo direto e simples. Não gosto que o texto fique entre o leitor e a história. Às vezes vejo que os leitores dão risada quando leem meus textos e visualizam  cena e  personagens sem que sejam necessárias muitas descrições. As pessoas não conseguem parar de ler meus livros e contos  e acho isso bom.

– Como começou a escrever e o que te motivou a criar suas histórias?

Misturo ideias, notícias, fatos, observação, memórias, impressões, medos,  tudo na imaginação, e o texto sai sempre surpreendente. Gosto desse desafio. Minhas histórias partem das personagens, geralmente elas aparecem antes, ganham um nome muito certo – o nome é importante-, e vivem. Fico sempre assustada com o lado oculto das pessoas, das situações e das versões e a perplexidade me leva a escrever.

– Atualmente tem quantos livros publicados? Fale um pouco mais sobre eles. 

Quatro livros de ficção, três livros sobre direito e muitos contos publicados em coletâneas e zines.

-Você vê alguma dificuldade em publicar um livro no mercado literário brasileiro atualmente?

Publicar um livro é sempre  um desafio. Acho meus livros bem publicados, gostei de todos os editores de ficção  com quem trabalhei: Jozias Benedicto, Renato Rezende  e Eduardo Lacerda. Todos valorizaram  meu texto e criaram edições incríveis. Mas foi e é ainda um caminho difícil, fui e sou muito persistente.

– Além de escrever, gosta de ler? Quais são seus autores e gêneros favoritos?

Leio muito, o tempo todo. Leio autores variados, também. Destaco Julio Cortázar, Ricardo Piglia, Jane Austen, Hemingway, Guimarães Rosa, Georges Simenon, Raymond Chandler, Lourenço Mutarelli, Javier Marías, Javier Cercas, Foucault,  Cristiane Krumenauer, Vera Carvalho Assumpção, Andrea Nunes, Vivianne Geber, Cláudia Lemes, minhas amigas do Martelinho de Ouro, com quem tenho muita afinidade, Patrick Modiano, Paul Auster, Philip Roth, entre muitos outros, estou aqui mencionando autores à medida em que deles me lembro, sem método. Não posso me esquecer de Vitto Graziano e Tito Prates, também, Tito aliás é biógrafo de Agatha Christie no Brasil. Leio jornal, páginas policiais, revistas e até livros de auto ajuda, eventualmente. Gosto de poesia também.

– Para encerrar. Deixe um conselho para os escritores que estão vindo agora. 

Leia e escreva sempre e aproxime-se de escritores com quem você tenha afinidade pessoal e, se possível, literária. Ninguém escreve igual a ninguém, então não se preocupe se estilos forem diferentes e confie no seu. Publique como puder, de maneira independente ou não, mas sempre respeitando sua escrita. Não desanime e não desista.


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Um comentário

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  1. Rosa Carvalho disse:

    Adorei ler a entrevista de Paula Bajer,parabéns

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