Entrevista Literária – Nicolas Santos


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1- Nicolas, para nós é um prazer entrevista-lo. Conte-nos um pouco sobre você e sua carreira no mundo dos quadrinhos. 
O prazer é todo meu. Sou um jovem artista e estudante de design. Sou apaixonado por todo tipo de arte, uma paixão que cresceu cada vez mais com o passar tempo. Já tive algumas possíveis parcerias e presença em eventos menores. Também desenvolvi quadrinhos institucionais para circulação interna para o centro da IBM em que trabalho, mas a coletânea “Histórias para não dormir” é meu primeiro trabalho publicado realmente.

2- Qual o seu estilo de desenho e o que mais gosta de desenhar?
O estilo é uma grande mudança constante, creio que o “traço” seja sim algo único e pessoal, mas que se mantém numa constante evolução consequente do crescimento do repertório do artista.
O mangá já foi uma das minhas grandes influências, mas com o tempo me voltei para outros estilos, conhecendo artistas de diversas “categorias” como o undergroud, comics americano, BD franco-belga, fumetti, dentre muitos outros, incluindo ilustradores e pintores clássicos também. Se tivesse que classificar meu estilo, seria algo entre o mangá e os quadrinhos europeus, me lembro bastante dos da Bonelli Editore, mas sempre tem um pouco de americano e independente aqui e ali. 
A figura humana é o que passou a me fascinar mais após um certo nível de estudo, desde personagens e estudos de modelos vivos, até artes mais experimentais, pessoais e subjetivas. Quanto mais desenho, mas me fascino pelo assunto e pelas possibilidades.

3- Atualmente tem quantos trabalhos publicados? Fale um pouco mais sobre eles.

Já tive alguns quadrinhos menores publicados online há alguns anos atrás, mas nada de grande expressão. No final do ano passado surgiu a possibilidade de desenhar uma história cyberpunk de mais ou menos 30 páginas, escrita por um amigo meu. O tema me agradou e, mesmo sendo seu primeiro roteiro, é divertido desenhar. Pretendemos lança-la online e talvez impressa. Neste ano fui também convidado para participar da coletânea “Histórias para não Dormir” desenhando o roteiro do Marlos Quintanilha na história “O Pacto”, foi uma experiência muito boa, por eu já estar estudando mais roteiro e narrativa, pudemos nos ajudar muito para fazer o melhor trabalho possível no momento. Atualmente também me encontro desenvolvendo outras histórias autorais, mas essas ainda estão num estagio muito inicial.

4- Quem/o que te motivou a desenhar ?

Não sei dizer ao certo quem ou o que me fez começar a desenhar, desde a minha memória mais antiga, lembro de estar sempre desenhando. Mas, se preciso eleger os “culpados”, com certeza seria primeiro Tatsuo Yoshida, o autor de Speed Racer, o desenho favorito da minha infância, que me fez amar carros e querer desenha-los. O outro “culpado” seria meu pai, que por gostar de desenho na sua juventude, me incentivou a continuar desenhando e eu posso dizer que ele foi meu primeiro professor. Também devo agradecimentos a artista Janaina Furlan que foi uma peça fundamental para meu crescimento como artista já no início da minha adolescência. 
Além disso não posso negar que diversos autores foram e ainda são muito importantes na minha jornada como artista tanto como incentivo como influência artistica, alguns como Sean Gordon Murphy (Autor de Punk Rock Jesus), Eduardo Ferigato (Autor de Opala 76), Rapha Pinheiro (Autor de Mesa 44), RB Silva (Desenhista de Powers of X #1), Raoni Marqs (Autor de Tenkamusou) e muitos outros artistas magníficos, é uma lista em constante expanção.

5- Você vê alguma dificuldade em publicar um quadrinho no mercado literário brasileiro atualmente?

Além da distribuição que é complicada e da clara deficiência no sistema de educação que, dentre outras coisas, forma uma cultura que valoriza os artistas de forma mínima, também vejo uma grande dificuldade dos autores independentes de “furar a bolha”, existe muito a discussão de que existem mais autores que leitores, mas, olhando com uma abordagem mais mercadológica, acredito que na verdade o que existe é uma distância entre o público e os autores, precisamos chegar nas pessoas, e por público eu não digo aquele seleto grupo que matem o hábito de procurar o autor nacional, mas sim o cara que lia quadrinhos, o adolescente fã dos filmes da marvel, o universitário, o pai, a mãe, os filhos, o padeiro da esquina, todo mundo já pegou uma turma da Mônica, um livro ou viu um filme, precisamos chegar neles assim como essas outras mídias chegaram.
Outro ponto fraco que vejo é a falta de administradores, empreendedores, um olhar profissional mesmo, temos muitos autores, mas nem todos acabam encarando sua publicação como um negócio, isso forma pilares de vidro, está na hora de aos poucos nos fortalecermos e irmos além dos eventos e do catarse. Claro que não é simples, eu mesmo ainda não cheguei a uma conclusão de como fazer isso efetivamente, mas a realidade esta lá para nós vermos, precisamos encontrar meios de lidar com ela, ainda não há um “caminho das pedras” estabelecido.

6- Além de desenhar, gosta de escrever? E de ler? Quais são seus autores e gêneros favoritos?

Gosto sim, já escrevi algumas poucas coisas mais pessoais, mas atuamente tenho me focado em ler livros sobre escrita e narrativa, atualmente estou lendo Story, de Robert Mckee – que recomendo muito pra qualquer pessoa que queira escrever histórias -. Mas, além disso, amo contos e tenho um amor especial também por ler peças de teatro, Macário de Alvares de Azevedo e O Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente mudaram minha vida literária. Amo também os livros de Neil Gaiman assim como as obras de Allan Poe e Lovecraft. 
Drama, mistério, horror, suspense e qualquer coisa que me deixe curioso e tenha uma narrativa envolvente me encanta. Apenas os romances de época são os que me travam um pouco, realmente eles não me agradam muito, tais como os livros de Jane Austen ou Julian Fellowes, não que sejam ruins, só não me pegam, isso se estende para outras mídias também.

7- Para encerrar. Deixe um conselho para os quadrinistas e desenhistas que estão chegando agora nesse meio.

Primeiro de tudo é, VAI FAZENDO, você não vai ter um quadrinho se não for lá e fizer um, claro que sua primeira história não vai ser maravilhosa, talvez só três pessoas leiam e é bom que você saiba disso, o importante é que você faça, conclua o projeto. Por isso também digo – por experiência própria – começar com histórias curtas é bem melhor, nelas você pode experimentar e aplicar o seu aprendizado, além de te dar a sensação de “dever cumprido” no final, o que é muito importante para incentivar sua produção. Meu primeiro quadrinho que desenhei inteiro, eu tinha uns 15 anos e eram 66 páginas, não foi legal e no fim quase nada viu a luz do dia, não recomendo haha.
E outra coisa que me ajudou muito é aprenda com TUDO, não leia só mangá, ou super-herói, ou o que quer que seja seu “estilo” favorito, vá ao teatro, leia um zine, leia um autor brasileiro, leia um quadrinho da decada de 60, leia um romance moderno, um clássico, veja filmes, vá ao museu, leia HQs argentinas, web comics… Quanto mais repertório melhor e, claro, a teoria e os professores também são de grande importância nessa jornada! Bem, acho que esse assunto dá pelo menos uma postagem só pra ele haha.
Enfim, vai lá e faz, esteja aberto a coisas novas sempre, conheça pessoas, experientes e iniciantes. Não vai ser fácil, mas não pare, siga sempre em frente!
Fica – sem intenção de ser pessimista, mas – a frase do rei Jack Kirby, “Jovem… Os quadrinhos vão partir seu coração.” (Tradução livre, minha haha)


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Mhorgana Alessandra
Mhorgana Alessandra é mineira, psicóloga e mestranda em Literatura. Diretora da Anima - Núcleo de Desenvolvimento Humano, ministra palestras e consultorias sobre diversos temas do comportamento humano. Casada, mãe de duas lindas meninas, é amante da música, literatura, artes marciais e atividades ligadas ao crescimento espiritual. Ganhou diversos concursos literários e vem participando como autora e organizadora de diversas Antologias. Escritora, blogueira, colunista e roteirista, transita por diferentes estilos, mas tem especial fascínio pelos gêneros de ficção, suspense, terror e horror. Seu autor preferido é Stephen King e como ele, acredita que o escritor presta atenção em como as pessoas reais se comportam e então, conta a verdade sobre o que vê, através de caminhos alternativos e acrobáticos. É membro da ABERST e da A Arte do Terror e vem desenvolvendo projetos voltados a esse mercado específico.

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