Da ideia à escrita.


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“Não há nada que faça um homem suspeitar tanto como o fato de saber pouco.”

Francis Bacon

Por A. T. Sergio

Quantas vezes fomos pegos por um texto que gera a imagem tão forte e detalhada em nossas mentes, tornando praticamente impossível não desejarmos chegar ao final daquele trecho ou virar a página seguinte?

Esse é o estigma perseguido pelos autores de suspense, deixando loucos os seus leitores, transformando o ato da leitura em um foco de ansiedade positiva, gritando a necessidade de saber o que irá acontecer.

Tornar aquela ideia criativa em uma história escrita, com toda força imaginativa, sem entregar o final fundamental, gerando pequenas e apetitosas pistas, migalhas de sensações não descritas, mas percebidas nas entrelinhas, com a quantidade certa de palavras e linhas para não permitir o abandono da leitura, é o grande objetivo do escritor de literatura de entretenimento.

Com o exemplo do parágrafo acima é possível demonstrar de forma prática que nem sempre a ideia é repassada ao texto com propriedade. Mesmo um autor treinado pode vir a encontrar dificuldades em mostrar em pouco espaço o que é essencial para cada um que lerá suas linhas. O uso contínuo de vírgulas e do gerúndio pode vir a arrastar a ideia sobre a tela, cansando o mais atento dos leitores. Por outro lado, frases curtas com detalhamento de ações e sensações podem tirar a fluidez do texto, fazendo o leitor descartar a história pela falta de profundidade.

Tratamos, então, da busca pelo ajuste da ideia à forma, sem perda de partes relevantes, levando à obra apenas o que pode vir a mostrar e não dizer diretamente o que está se passando na mente, no corpo e no coração da personagem. É preciso medir o que se dá a quem está lendo, deixando que também sua criatividade de leitor forme as imagens próprias, individualizando a experiência de leitura do texto. É vital que o autor se lembre que a história se passa não só em sua mente, mas nos corações de cada um que opta pelo seu livro deixando na fila outros títulos.

Na linha do suspense há fórmulas variadas para aderência máxima, principalmente na estruturação de thrillers de sucesso. Técnicas exploradas há anos pelo mercado, com promessas de manter as almas dos leitores presas ao enredo, utilizadas sem economia em grandes bestsellers da escrita e da produção audiovisual. Mas todas essas fórmulas/técnicas só funcionarão se a história estiver baseada na solidez de um enredo cativante.

Em todos os gêneros, o ato de escrever começa não com a palavra na tela ou no papel. Sua origem vem da troca de experiências com o mundo e da capacidade de transformar a criatividade crua em algo interpretável pelo público esperado. E a escrita não pode terminar com o “fim” na última página do livro. Ela deve ir além, aglutinando a expectativa com a vivência da leitura, perdurando a reação do leitor ao texto.

Sobre o autor:

Escritor pernambucano, romancista, organizador e participante de antologias nos gêneros terror/suspense/mistério/policial.

Entre seus trabalhos mais recentes há contos de terror em antologias das editoras Luva, Rouxinol, Lendari, Rico, Delirium, Constelação, além de obras independentes publicadas diretamente na Amazon.

Conselheiro da ABERST (Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror).

Publicado inicialmente em: www.euleiobrasil.com.br, todo dia um novo texto!


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Mhorgana Alessandra
Mhorgana Alessandra é mineira, psicóloga e escritora. Diretora da Anima - Núcleo de Desenvolvimento Humano, ministra palestras e consultorias sobre diversos temas do comportamento humano. Casada, mãe de duas lindas meninas, é amante da música, literatura, artes marciais e atividades ligadas ao crescimento espiritual. Ganhou diversos concursos literários, mas somente em 2017 deu vazão às suas ideias, participando pela Editora Illuminare como autora das Antologias: Copas, Diário de Lúcifer, Para Maiores de 18, As faces do Horror, Vícios, Taras e Medos, Deep Web, Contos de um Natal sem Luz, e como autora e organizadora das Antologias Síndromes, Carpe Noctem, e da A Arte do Terror - Apocalipse. Também faz parte da ABERST e da A Arte do Terror. Transita por diferentes estilos, mas tem especial fascínio pelos gêneros de ficção, fantasia e horror. Seu autor preferido é Stephen King e por ser psicóloga, uma estudiosa da psique humana, como ele, acredita que o escritor presta atenção em como as pessoas reais se comportam e então, conta a verdade sobre o que vê.

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