Crônica: com a poesia


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POR: Maleno Maia

A COLHEITA

A meu deleite, amanheci sorrindoPara trabalhar o que me invoca.Será um dia de incentivo,Grande colheita que se dobra.

Aprumo, visto-me e subo.Subo freneticamente para o céu.Pasto atrelado e em um puloColho palavras para um papel.

A colheita é farta e o gado é forte;Aos suscitados, Deus louvará.Não sou uma pessoa que crê em sorte.Ergo o muro que me edificará

Vivo cercado de alambrados.Inveja e cobiça não me atingem.Tantos caminhos bem armados,Inimigos armados não me afligem.

Assim, talhando, talvez pensem,Que arrebato em fogo a pelear,Não traço palavras que mentem,É a minha forma de pisar.

E, por isso, amigos, intensifico:Os frutos da colheita estão maduros;São alimentos para o dom artísticoQue abrem precedentes para o futuro.

 Autor: Maleno Maia

Quanto a escrever poesias, uma vez eu mesmo me confrontei. Sim, eu não era muito adepto a escrever esse estilo e muito menos me esforçava para isso. No entanto admirava quem o fizesse com maestria. Os primeiros contatos com obras de Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade me estimularam a tentar riscar algumas linhas a ponto de quase rasgar os papéis. Hoje a poesia não é o meu foco, mas ela já me transferiu momentos de aurea e puro prazer.

O ápice do meu envolvimento com a poesia aconteceu em meados dos anos 2000 e 2001; época em que também comecei a rascunhar as primeiras histórias em prosa. Posso destacar que no intervalo de um mês escrevi mais de 40 textos poéticos, assimilando as descobertas dos estilos e buscando pô-los em prática. Foi aí que entendi o que eram os Haicas, as Baladas, os Sonetos, as Elegias, os Madrigais, as Trovas e as Canções. Cada estilo figurava não só no formato, mas nos temas tratados; por exemplo: os madrigais eram textos de galanteios às mulheres. As cancões e baladas podiam tratar dos mais variados assuntos; mesmo que não fossem tão encantadores, elas suavizam pelo esquema de estrofes fixas em versos rimados, conduzindo uma harmonia quase musical. Na poesia, até quando se fala de morte, há um eufemismo inserido.

Durante esse momento pleno e interessante que famigerei a poesia, para enriquecê-la, esforcei-me utilizando dos mais variados estratagemas, como figuras de estilo e de linguagem, o humor, a sátira e breves contos baseados em histórias contadas pelos avós. Passei a notar que até a ordem e a forma como as palvras são agrupadas, dão vazão para infinitas possibilidades de exaltar o belo e a criatividade. Para muitos a poesia se torna o veículo mais fácil, por ser mais breve; mas para mim é o mais difícil, pois sempre me pergunto: como escrever tanto em tão pouco? É algo que me fez até refletir que nem tudo que pensamos precisa ser escrito ou publicado. Se quero falar pouco, que seja algo intenso, insano, encantador, que choca e que rasga o verbo.

A poesia também está na música, embora de forma menos intensa na maioria das ocasiões. Mesmo assim o país possui e possuiu grandes compositores, que produziram obras de relevância tanto pela questão poética quanto pelos arranjos musicais. Uma vez vi uma lista das 15 maiores canções de todos os tempos e noto que um dos critérios mais utilizados foi a poesia. Obviamente muita coisa boa fica de fora, mas lendo e analisando profundamente cada letra, percebe-se como elas são mágicas e intransponíveis, de cunho crítico, social e filosófico.

Confesso que gosto mais da prosa, pois preciso estar num momento sublime e de uma esfera incalculável de transcedência para escrever poesia. Hoje o tempo é o meu amigo, pois quanto mais ele passa, mais eu agrego e busco referências para resumi-las em pequenos textos. Se fosse meu foco, certamente escreveria mais. O Ritmo da escrita poética diminuíra, pois na juventude foi apenas empolgação da descoberta; hoje elas são mais intensas e estruturadas. Talvez o motivo de diminuir o ritmo fora aquele que eu afirmei anteriormente: nem tudo que penso escrevo. Alguns anos se passaram, escrevo menos, mas ela não deixou de ser uma das prioridades, e hoje até comparo um dos versos de um poema da grande Adélia Prado: “O que sinto escrevo, cumpro a sina”.  Todavia nem tudo que sinto escrevo, mas vários fatores devem adentrar esse invólucro para que um texto vire composição poética.

Sobre o autor:

Maleno Maia nasceu em Santo Anastácio, interior de São Paulo e atualmente mora em Presidente Prudente – SP. É professor licenciado em Química, poeta, contista, romancista e colunista do blog Literanima.

Publicado inicialmente em: www.euleiobrasil.com.br , todo dia um novo texto!


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Mhorgana Alessandra
Mhorgana Alessandra é mineira, psicóloga e escritora. Diretora da Anima - Núcleo de Desenvolvimento Humano, ministra palestras e consultorias sobre diversos temas do comportamento humano. Casada, mãe de duas lindas meninas, é amante da música, literatura, artes marciais e atividades ligadas ao crescimento espiritual. Ganhou diversos concursos literários, mas somente em 2017 deu vazão às suas ideias, participando pela Editora Illuminare como autora das Antologias: Copas, Diário de Lúcifer, Para Maiores de 18, As faces do Horror, Vícios, Taras e Medos, Deep Web, Contos de um Natal sem Luz, e como autora e organizadora das Antologias Síndromes, Carpe Noctem, e da A Arte do Terror - Apocalipse. Também faz parte da ABERST e da A Arte do Terror. Transita por diferentes estilos, mas tem especial fascínio pelos gêneros de ficção, fantasia e horror. Seu autor preferido é Stephen King e por ser psicóloga, uma estudiosa da psique humana, como ele, acredita que o escritor presta atenção em como as pessoas reais se comportam e então, conta a verdade sobre o que vê.

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